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“É o sangue que corre em minhas veias” – Esse é o significado do esporte para Janaína Pessato

Publicado em 14/06/2017 por

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Foto: Acervo pessoal

Tem que ter muita fibra para encarar o desafio de estar à frente de uma equipe paralímpica. Mas isso não desanima Janaína Pessato.

A treinadora de Uberaba tem o esporte correndo nas veias e faz disso sua maior motivação para ensinar às crianças os princípios da Bocha Paralímpica.

Confira a entrevista completa do Observatório do Esporte de Minas Gerais: 

Como você conheceu o esporte? Quando decidiu ser técnica?

Eu trabalho em uma instituição desde 1999 e eu tinha um inquietação ao ver pessoas com limitações motoras severas, principalmente pessoas com paralisia cerebral, sem alguma atividade para fazer. Então comecei a pesquisar sobre a bocha paralímpica. Buscamos em outras instituições e chegamos até a ANDE (Associação Nacional de Desporto para Deficientes), quando a Márcia Campeão, Coordenadora Nacional da Bocha, me orientou. Para você ter uma ideia,  aprendi como funcionava o esporte por telefone. Fui orientada sobre como funcionava o material, como era feita a medição das quadras e como classificar os atletas. Em 2012 nós participamos da primeira competição de bocha e meus atletas jogavam com uma bola de meia, quando, então, conhecemos a bola oficial da bocha paralímpica. Após isso começamos a nos capacitar e dessa forma que me ingressei na modalidade.

Há algum técnico ou técnica que seja um grande exemplo para você?

No Brasil nós somos uma equipe muito grande de trabalhadores da bocha. Eu tenho a minha inspiração na Coordenadora Nacional de Bocha, Márcia Campeão. Foi ela que basicamente implantou a bocha no Brasil juntamente com a ANDE, dando suporte aos clubes. Há também o nosso técnico principal, o Professor Darlan, que é uma pessoa muito estudiosa e que sistematizou o esporte.

Fale sobre a rotina de seus atletas nos treinos. Há diferença no treinamento de atletas com deficiência e sem deficiência?

Isso é muito interessante porque a princípio, quando implantamos a bocha, nós tínhamos muito receio que os atletas ficassem lançando de qualquer jeito, tendo em vista que a bocha é um lançamento de precisão. Tínhamos uma preocupação com o fato do atleta agravar a lesão, pois era tudo muito novo. Antes era somente lançar bolinha. Agora o preparo dos atletas paralímpicos segue a rotina de preparo de qualquer outro atleta, fazendo uma série de alongamentos antes de ir para a quadra e fazendo um treino específico para cada estilo de jogo. Isso quebrou o estigma de que pessoas com deficiência não pode fazer nenhum exercício. Trabalhando em cima das funcionalidades e limitações do atleta, ele pode fazer tudo.

Como você avalia a estrutura do esporte paralímpico no Brasil?

O esporte paralímpico cresceu muito no Brasil graças ao Comitê Paralímpico, às Associações Nacionais e principalmente por conta de investimentos em capacitação. Quem está à frente do esporte paralímpico deve está sempre capacitado, atualizado, porque o esporte muda todos os dias.

O país tem um número de atletas muito grande. O investimento que houve no esporte paralímpico escolar fez com que mudasse a característica de que o atleta paralímpico é um atleta mais velho. Estamos sempre renovando as equipes, o que é muito importante.

Como você avalia as categorias de base atualmente? Podemos esperar novos talentos surgindo nos próximos anos?

A estrutura funcional que temos proporciona a formação de novos atletas sim. Mas acho que em nosso estado a estrutura física, às vezes de transporte para levarmos os alunos para as competições, essas são deficitárias. Minas Gerais é muito grande e tem muito no que investir, mas já estamos apresentando muitos atletas novos, principalmente nos jogos escolares.

Para você, o que significa o esporte?

É o sangue que corre em minhas veias. Eu sou apaixonada por esporte e praticamente cresci em uma quadra. Minha formação sempre foi o ensino de esporte e além disso eu sou esportista até hoje, participando de corridas de rua. Amo o esporte, desde a formação ao alto rendimento.

O esporte é tudo! Ele abre as portas não só para os atletas paralímpicos, mas para toda categoria de atleta.

As políticas públicas deveriam atentar para a função formadora que o esporte tem e investir muito na formação das nossas crianças e adolescentes.

Vou ser audaciosa e dizer que esse investimento reduziria em 50% dos problemas sociais que temos hoje.

Qual sua conquista mais marcante e quais as mais recentes que você gostaria de destacar?

A mais recente foi a conquista da medalha de prata nas Paralimpíadas. Foram tantas competições que só trouxeram grandes satisfações.

“Mas a minha maior conquista não veio através de medalhas. Minha maior conquista é fazer parte do esporte paralímpico e através dele fazer com que as pessoas despertem para o esporte.”

Qual a sensação de ter sido premiada no “Melhores do Ano 2016”? A que você atribui esta conquista?

Na verdade eu não sei se sou merecedora desse prêmio. Eu divido esse troféu com todos os técnicos mineiros que trabalham nessa formação, na conquista pelo destaque escolar. Minas tem excelentes técnicos e sempre é bom esse reconhecimento do trabalho. Todos os técnicos mineiros merecem esse reconhecimento porque nossa briga para que o esporte paralímpico tenha destaque com o pouco que temos é dura. Há investimento nos clubes grandes. Os clubes pequenos enfrentam uma batalha a cada dia.

Um recado para os técnicos que queiram iniciar carreira esporte ou que estão começando.

Motivação é a palavra certa para tudo. Quem não tem o esporte no sangue não adianta nem entrar em uma quadra, mas se não tiver motivação no trabalho, não respeitar as diferencias, não é possível trabalhar. Quem tem motivação não para nunca!

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