Laser infravermelho ajuda a combater gordura no fígado

Publicado em 01/03/2018 por

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O uso de laser infravermelho, associado à prática de exercícios físicos e à educação nutricional, ajuda a reduzir o nível de esteatose hepática não alcoólica – acúmulo de gordura no fígado. A diminuição foi constatada por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP durante estudo que envolveu vinte voluntários obesos do sexo masculino, com idades entre 20 e 40 anos.

O pós-doutorando em Biotecnologia do IFSC, Antonio Eduardo de Aquino Júnior, um dos autores do estudo, explica que, quando se ingere mais calorias do que se pode gastar, o corpo não as elimina, sendo então forçado a alojá-las dentro de células de gordura. No entanto, quando a capacidade de alojar essas calorias extras ultrapassa o limite celular, o corpo passa a estocar esse excesso de outra forma, para não desperdiçar energia. Todo esse acúmulo  concentra-se no fígado, em forma de triglicerídeos, proporcionando um fenômeno conhecido como citotoxicidade. Quando o órgão armazena muitos triglicerídeos, surge a esteatose hepática não alcoólica, complicação que pode gerar câncer.

Laser infravermelho é parte importante do combate a gordura no fígado. (Foto: Reprodução/Iman)

Laser infravermelho é parte importante do combate a gordura no fígado. (Foto: Reprodução – Iman)

Todos os voluntários participantes do estudo receberam informações nutricionais e a ingestão de bebidas foi evitada. Durante dois meses, três vezes por semana, dez voluntários realizaram uma hora de exercícios aeróbicos e resistidos (musculação) recebendo, em seguida, dez minutos de aplicação de luz instalada em quatro placas com 16 emissores de laser (cada), que foram colocadas sobra o abdômen, quadríceps, glúteos e bíceps, estimulando o gasto de energia acumulada. Outros dez voluntários não receberam a aplicação da terapia com luz.

“É uma forma não apenas de proteger o paciente contra a obesidade, mas também de impedir que em longo prazo ele possa ter câncer de fígado”, explica Aquino.

Aquino comenta, também, que se observou algo nunca relatado na literatura científica: a relação entre redução da gordura visceral (localizada próxima à região da barriga) e a diminuição das enzimas hepáticas, na alteração da esteatose hepática não alcoólica. Ou seja: “Quanto menor a gordura visceral menores serão as enzimas hepáticas”, diz o especialista, acrescentando que, hoje, a análise de esteatose hepática não alcoólica é feita através de exame de sangue ou ultrassom.

Além da gordura visceral, outros parâmetros, como peso corporal, gordura total do corpo, colesterol e lipoproteína de baixa densidade (LDL), os triglicerídeos também foram reduzidos, conforme os pesquisadores notaram durante o tratamento.

Um dos objetivos do projeto, de acordo com Aquino, é fornecer à comunidade médica uma tecnologia que proporcione aos pacientes um tratamento alternativo para combater a obesidade, cujas soluções atuais se baseiam na adoção de um estilo de vida saudável, uso de medicamentos ou cirurgia. Além disso, a possibilidade de que professores de educação física possam utilizar a tecnologia de lasers e LEDs é uma realidade confirmada pelo Conselho Federal de Medicina e, dessa maneira, pode ser acessada de forma mais facilitada por todos.

Apoiado pelo Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (Cepof/Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela empresa MMOptics, o estudo foi desenvolvido sob a orientação do professor Vanderlei Salvador Bagnato (IFSC) em parceria com as pesquisadoras do IFSC Fernanda Mansano Carbinatto e Lilian Tan Moriyama.

Em janeiro deste ano um artigo referente à pesquisa foi publicado no Journal of Obesity & Weight Loss Therapy.

Fonte: Jornal da USP
Disponível em: https://goo.gl/XmHJ6p // Acesso em: 23/02/2018

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