Boas práticas de governança para o desenvolvimento do esporte

Publicado em 26/06/2019 por

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Mesa no IV Seminário Internacional de Gestão e Políticas Para o Esporte traz bons exemplos de prática para o desenvolvimento esportivo

A boa governança é uma prática que não pode deixar de existir em nenhuma área da administração e, na administração esportiva pode resultar em diversos ganhos e no desenvolvimento efetivo do esporte. As definições de governança na administração de empresas em geral, diz respeito ao modo como ela é gerenciada e equivale, da mesma maneira à administração esportiva. Quem tem controle? Existem mecanismos de controle? Tem gente responsável para isso e que possa realmente acusar problemas e resolvê-los?

Ricardo Trade, diretor sênior de operações da Confederação Brasileira de Basquete fala sobre governança nas organizações desportivas.

Ricardo Trade, diretor sênior de operações da Confederação Brasileira de Basquete fala sobre governança nas organizações desportivas.

A governança também ajuda a mostrar o nível de confiança que a empresa recebe do mercado e pensando em organizações esportivas, isso pode demonstrar o nível de comprometimento de atletas, do público, da mídia, de organizadores, de possíveis patrocinadores e de todos os membros da cadeia esportiva. Segundo Ricardo Trade, diretor sênior de operações da Confederação Brasileira de Basquete e Coordenador local do Centro Internacional de Estudos no Esporte, a governança nas organizações esportivas trazem os mesmos conceitos das empresas, “a governança ineficaz é um problema que impede o esporte de atingir plenamente o seu potencial de beneficiar as pessoas e a sociedade, reduzindo a eficiência e a efetividade da utilização dos recursos disponíveis para o esporte”, um problema que impede o esporte de atingir plenamente o seu potencial de beneficiar as pessoas e a sociedade, explica.

Segundo Ricardo Trade, é importante lembrar que todas as classes dentro do esporte, sejam atletas, técnicos, árbitros, organizadores, por exemplo, devem ter voz e estar representados nas organizações esportivas, diante de tudo isso, lembra que atleta, não é somente o atleta de alto-rendimento ou olímpico e que esses atletas costumam participar do gerenciamento esportivo. “As pessoas só pensam nos [atletas] famosos e esquecem que têm muitos atletas envolvidos, mas eles têm que estar participando de tudo. Tem que ter eleição para tudo, você não pode escolher quem vai representar os atletas, eles têm que se escolher, são pontos importantes em uma democracia”.

Bom exemplo na prática de gestão esportiva

Marco Aurélio de Sá Ribeiro é presidente da Confederação Brasileira de Vela, a CBVela. Ele comenta que o momento atual é de mudança no esporte. Segundo ele, “nós vivemos um momento de transição no esporte em que o esporte era uma espécie de condomínio, as organizações esportivas eram organizações políticas onde se tentava organizar uma coletividade para a prática esportiva. Era uma instituição mal aparelhada em que o esporte acontecia de forma amadora”, explica. Com o passar do tempo, houve uma grande mudança em termos de volumes de recursos destinados ao esporte e exigência de profissionalismo para se obter alto rendimento. Ele comenta que o esporte hoje é, na verdade, uma grande organização de serviços uma empresa que requer outras métricas e outras formas de gestão e não mais uma gestão de forma amadora.

Diante de todas essas exigências de boas práticas de governança para o desenvolvimento do esporte, ele explica como se dá esse processo dentro da Confederação Brasileira de Vela. Segundo ele, a CBVela, desde seu início, foi criada para refletir essa nova realidade com uma estrutura que demonstre essa realidade. A realidade é que o esporte é formado pelo que chamam de cidadãos da vela. “Cidadão da vela é todo aquele que pratica aquele esporte, os árbitros, os técnicos, todos aqueles que estão no processo de construção de uma atividade que é altamente educativa, formadora e uma forma de entretenimento. Então, quem manda na CBVela é o cidadão da vela, ele manda, controla e decidi”, comenta. É considerado um cidadão da vela, todo aquele que ao longo de um determinado período participou de um campeonato de vela. Este indivíduo pode votar, tem poder e sua opinião será sempre considerada. Outros exemplos de cidadãos da vela são os técnicos, graças a eles é que o esporte se desenvolve. Os oficiais, de regata, os árbitros também fazem parte do esporte, se não houver o árbitro você não tem o esporte.

A participação desses indivíduos, em primeiro lugar, se dá pelo voto direto. A CBVela usa sempre que possível o voto direto, não só na eleição para presidente. “Teremos assembleia da associação internacional de vela. Todos os temas serão votados pela comunidade, a pauta está toda disponível para a comunidade e a comunidade está votando nosso posicionamento sobre os principais temas a serem votados”, exemplifica o presidente.

Outra forma de participação é através dos conselhos. “Existe o conselho e administração, comissão de atletas, técnica, de árbitros e nada é feito sem passar por essas comissões, mesmo quando o entendimento do gestor ou presidente é diferente do da comissão”, comenta. A outra forma é através de assembleias, com a representação de todos os interessados na vela, sem nenhum tipo de restrição e com o mesmo poder de voto.

Marco Aurélio explica que tudo isso tem como objetivo manter o compromisso do esporte com a sociedade. “Todo esporte tem como objetivo crescer, ter mais praticantes ou aficionados, a gente só alcança isso agradando o público também. O esporte é da sociedade, não só dos praticantes. Nosso compromisso não com aquele que pratica hoje o esporte somente, e sim com todos os brasileiros que ainda não velejam e a gente quer que velejem”, conclui.

SOBRE O PROJETO INTELIGÊNCIA ESPORTIVA

O IV Seminário Internacional de Gestão e Política para o Esporte, uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR/IE) aconteceu em Curitiba entre 25 e 27/04. O Instituto de Pesquisa “Inteligência Esportiva” é uma ação conjunta entre o Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR) da Secretaria Especial de Esportes do Ministério da Cidadania. Esse projeto surgiu em 2013 com o objetivo de produzir, aglutinar, sistematizar, analisar e difundir informações sobre o esporte de alto rendimento no Brasil e analisar as políticas públicas para o esporte de alto rendimento.

O vídeo completo da mesa pode ser encontrado aqui .

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