Capacitação e vivência: como deve ser a transição de atleta para gestor do esporte

Publicado em 13/11/2017 por

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A aposentadoria representa um momento delicado na vida de qualquer atleta. Interromper um ciclo de décadas dedicadas a competições e treinamentos faz com que pipoque uma série de dúvidas na cabeça do esportista. Mas há quem não sinta o baque da aposentadoria ao continuar no esporte de uma forma diferente – sem o mesmo protagonismo de quem está em campos, quadras, pistas e piscinas. Ocupar um cargo de gestor do esporte tem sido alternativa cada vez mais comum para ex-atletas brasileiros e ajuda a preencher o vazio provocado pelo fim da carreira profissional.

Magic Paula alia agora a carreira de "cestinha" com a de gestora de projetos esportivos.

Magic Paula alia agora a carreira de “cestinha” com a de gestora de projetos esportivos. (Foto: Divulgação – Folha de S.Paulo)

As conquistas esportivas dão visibilidade a quem planeja seguir para a gestão do esporte, mas não garantem vida longa aos ex-atletas na nova área, explica Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula, uma das lendas do basquete brasileiro. Em entrevista ao Portal da Educação Física durante o 8º Congresso Brasileiro de Gestão do Esporte, realizado de 18 a 20 de outubro, em Curitiba, a criadora do Instituto Passe de Mágica explicou que a vida de cestinha pouco tem a ver com tomar decisões e controlar atividades de organizações esportivas.

“Não é porque você foi um bom atleta e se destacou dentro da quadra que você vai ser um bom gestor. Em tudo na vida é preciso se capacitar. Tem que estudar, se atualizar. A grande discussão que corre hoje é que os atletas têm que votar [em eleições de confederações], precisam participar mais da gestão. Espera aí, os atletas têm que ter muita calma nessa hora. Existem atletas que têm o perfil como gestor, já têm uma certa experiência e se prepararam para isso. É interessante porque nós podemos ver como é difícil o outro lado”, opina Magic Paula.

Apesar das funções distintas, os valores morais assimilados dentro da quadra auxiliam nas tarefas do dia a dia de quem segue trajetória como gestor do esporte. Reconhecer perfis e fazer com que companheiros de trabalho estejam com propostas alinhadas funciona tanto dentro quanto fora da quadra, garante Paula.

“Tem que descobrir o gosto pela coisa, ter intuições, sensibilidade, conhecer sua equipe. Não existe receita [para ser um bom gestor]. São mais questões pessoais que devem estar em jogo. É preciso conhecer aquilo que está fazendo. Se existe uma harmonia, um entendimento do perfil de cada um e todo mundo vai no mesmo sentido, se as pessoas entenderem o que querem, o caminho para o sucesso fica mais fácil”, acrescenta.

Danielle Zangrando transportando a tocha olímpica em Santos-SP, para a Rio 2016 (Foto: Rio 2016)

Danielle Zangrando transportando a tocha olímpica em Santos-SP, para a Rio 2016 (Foto: Rio 2016)

Aposentada desde 2010, a ex-judoca Danielle Zangrando, medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, hoje atua como diretora técnica da Fundação Pró-Esporte de Santos, que estimula o esporte de alto rendimento. A bagagem acumulada no tatame é vital para que Danielle defina prioridades e defenda os interesses dos atletas que representa. Além disso, Danielle já atuou como repórter esportiva pela TV Tribuna, e comentarista de judô pela Rede Globo e ESPN Brasil.

“A grande vantagem de você ter sido atleta e estar no papel de gestor é que você sabe exatamente as necessidades do atleta. Você já passou por tudo aquilo. Em uma conversa, sabem que você está vendo aquilo que é melhor para eles. O gestor que nunca foi atleta não tem essa visão”, analisa.

Aos 30 anos e ainda em atividade, a nadadora Joanna Maranhão, considera que em meados da década passada foi tratada de forma especial pelos dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e diz que os atletas podem ajudar a corrigir injustiças na distribuição de verbas no esporte nacional.

"precisamos fazer isso por quem está vindo”, afirma a nadadora medalhista Joanna Maranhão (Foto: divulgação - Jornal GGN)

“Precisamos fazer isso por quem está vindo”, afirma a nadadora medalhista Joanna Maranhão (Foto: divulgação – Jornal GGN)

“Quando eu tinha 17 anos e era a bola da vez, era tratada como uma princesa, recebia muito dinheiro e não atentei que isso vinha somente para mim. Depois acordei, vi que estava errado e comecei a gritar por critérios, não só para mim, mas para todos. Eu repito sempre o mesmo discurso. É preciso mudar, admitir que errou e foi conivente, que poderia ter se posicionado e não fez. Eu estou no meu último ciclo, mas precisamos fazer isso por quem está vindo”, conclui.

Joanna, que já mantém uma ONG no Recife, chamada Infância Livre, que dá suporte a crianças vítimas de pedofilia, lançou em junho deste ano Belo Horizonte, o Emancipa Esporte, projeto voltado à iniciação esportiva na natação para crianças da rede pública de ensino mineira. No futuro, a nadadora planeja expandir a atuação do programa e a capital pernambucana está nos planos.

Fonte: Portal da Educação Física [Adaptado] Disponível em: https://goo.gl/Vz5Cww  acesso em 13 de novembro de 2017

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