De um sonho realizado a realizador de sonhos: conheça o técnico Leandro Garcia, que há 15 anos se dedica ao atletismo paralímpico

Publicado em 23/02/2018 por

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Leandro Garcia no lugar mais alto do pódio no Circuito Loterias Caixa de 2017 (Foto: acervo pessoal)

Leandro Garcia no lugar mais alto do pódio no Circuito Loterias Caixa de 2017 (Foto: acervo pessoal)

Aos 35 anos, o Leandro Garcia é considerado atualmente uma das referências do atletismo paralímpico em Uberlândia e região. O treinador que ingressou no esporte para realizar um sonho de garoto, hoje é treinador da equipe de Uberlândia e vem realizando sonhos de muitos outros jovens. Entre seus pupilos está Rodrigo Parreira, medalhista nos Jogos do Rio 2016.

Leandro conversou com o Observatório do Esporte e contou sobre sua carreira no atletismo e como avalia o esporte paralímpico brasileiro. Confira: 

Antes de se tornar técnico, qual foi o seu primeiro contato com o esporte? Quando decidiu se tornar técnico de Atletismo?

Em 2001 eu iniciei a graduação em Educação Física na Universidade Federal de Uberlândia e até então, eu desconhecia a existência de esportes para pessoas com deficiência. Foi então que no segundo ano de curso eu entrei para um programa de estágio no qual era um grupo que trabalhava com esportes paralímpicos. Na época eles desenvolviam natação e goalball e em 2003, uma turma que praticava goalball também praticava atletismo, mas estavam sem técnicos. Aceitamos encarar o desafio e disputamos o campeonato brasileiro e a partir daí eu não parei mais. Em 2004 organizamos a equipe e até hoje vamos fazendo parte da história do atletismo de Uberlândia e do Brasil, uma vez que tivemos atletas nas Olimpíadas desde essa época.

Você tem algum ídolo no esporte? O que te inspira?

Eu não costumo ter muitos ídolos, mas os meus alunos me inspiram porque falta tanto e nós produzimos muito. Cada um dos meus alunos são as pessoas que mais me inspiram porque é notável que o esporte muda a vida para as pessoas para melhor e para as pessoas com deficiência esse impacto é ainda maior.

Saber que em 15 anos de trabalho, quando chega um aluno novo e ele vai sair transformado, me inspira e de certa forma me transforma também.

Por falar em atletas, você treina o Rodrigo Parreira, campeão olímpico. Vocês estão pensando nas próximas Paralimpíadas? Como está a preparação?

A preparação para as Paralimpíadas começa agora e graças ao perfil e rendimento dos nossos atletas, podemos pensar nos Jogos Paralímpicos porque eles já estão entre os melhores do mundo e os que ainda sonham com a participação nos Jogos, estamos fazendo um bom trabalho com eles para que um dia realizem esse sonho.

Contudo, os desafios são grandes.

Pós Rio 2016, nós achávamos que o esporte paralímpico teria melhores condições, mas nos assustamos com a saída em massa dos grandes patrocinadores do esporte, inclusive das seleções e isso tem refletido nos municípios com a diminuição do investimento.

O esporte de alto rendimento tem um custo muito alto e hoje, sem dúvida, esse é o maior desafio que não só os mineiros mas o Brasil terá de superar para não apresentar retrocesso nas performances, não só em Tókio mas nos anos que vem a seguir.

Qual a sua visão sobre o paradesporto, de quando você começou, comparado ao cenário atual?

De 2004 até hoje, o esporte paralímpico tomou a forma de esporte de alto rendimento realmente. Há maior patrocínio, a Seleção Brasileira tem uma ótima estrutura – a partir da construção do Centro Paralímpico Brasileiro em São Paulo –  evoluiu-se muito não só em estrutura, mas em capacitação técnica.

E o atleta paralímpico precisa dessa atenção diferencial. Um atleta cadeirante, por exemplo, precisa de locais de treinamentos acessíveis, de um transporte adaptado que posso o levar aos treinos e competições e em Minas Gerais nós ficamos muito felizes com os investimentos que são feitos – como o Bolsa Atleta e Bolsa Técnicos das modalidades paralímpicas – e com o avanço que o estado apresentou, contribuindo para a melhora do cenário atual. O que falta mesmo é um incentivo maior da iniciativa privada.

Há alguns anos observamos o município de Uberlândia como um polo revelador de atletas. A que você atribui esse fato?

Acredito que um dos responsáveis tenha sido o trabalho feito pela Universidade Federal de Uberlândia, que tem um projeto para atletas paralímpicos desde a década de 70. E dizendo por mim, o que diferencia esse projeto dos outros são os profissionais.

Uma Universidade que tem formado sempre pessoas que valorizam as diferenças, mantém essa tradição desde os anos 70. 

O poder municipal também sempre apoia nosso esporte, inclusive Uberlândia está prestes a inaugurar o primeiro Centro Paralímpico, com estruturas que nunca foram vistas no país.

Como você avalia as categorias de base atualmente? Podemos esperar novos talentos surgindo nos próximos anos?

Por ser um esporte de referência, fica mais fácil trabalhar com os novos talentos. Claro que não temos a estrutura ideal para contemplar a todos, mas já temos referenciais que incentivam a iniciação esportiva que dão atenção diferenciada aos atletas e que acarretam em resultados muito melhores do que já temos.

Houve retrocesso de investimento, mas não houve retrocesso de trabalho.

O que significa o esporte para você?

35 anos de idade, 15 anos de carreira…. É quase uma vida e uma vida nova. Quando eu tinha 20 anos entrei na faculdade de Educação Física para realizar um sonho de garoto. Praticava poucos esportes e nem fazia ideia do que era o esporte paralímpico. Era mais por pensar que seria um estilo de vida. Acabou que o sonho virou realidade e hoje eu levo uma vida de dedicação ao esporte.

Além disso, esporte é saúde, é cultura. Sempre que tenho oportunidade de contar isso, conto igualmente estou falando com vocês agora. Quando fui para as Olimpíadas no Rio, toda vez que pegava ônibus ou metrô, havia um outdoor com algum incentivo para que as pessoas praticassem alguma atividade. Então eu pensei que mesmo cansado dos treinos, ou mesmo os moradores cansados do trabalho olhavam para aquele outdoor e se sentiam motivados a chegar em casa e sair para correr ou algo do tipo.

Toda cidade que quer ter um povo mais desenvolvido e rico em todos os aspectos, deve incentivar a prática de esportes. 

Qual a sensação de ter sido contemplado pelo Prêmio do Esporte Mineiro? A que você atribui esta conquista?

Serviu como um divisor de águas para mim, pois eu pude fazer uma retrospectiva de todo o trabalho feito, tudo que já conquistei e tudo o que quero daqui para frente.

Esse prêmio é um incentivo para que possa continuar trabalhando e dedicando em prol do esporte.

O treinador Leandro Garcia e delegação no Circuito Loterias Caixa de 2017 (Foto: acervo pessoal)

O treinador Leandro Garcia e delegação no Circuito Loterias Caixa de 2017 (Foto: acervo pessoal)

Um recado para os técnicos que queiram iniciar carreira esporte ou que estão começando.

Primeiramente, dedicação. Nada acontece da noite para o dia e não é fácil, mas se temos planejamento, objetivos e fé e acreditar que você é capaz de fazer algo transformador para o mundo, vai dar certo.

É difícil, mas precisamos resistir.

Observatório do Esporte de Minas Gerais

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