Especial Outubro Rosa: 3 mulheres inspiradoras que venceram o câncer de mama através do esporte

Publicado em 31/10/2017 por

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O Outubro Rosa foi criado na década de 1990, nos Estados Unidos, onde os estados faziam ações isoladas referentes ao câncer de mama. Com a posterior aprovação do Congresso Americano, o mês de outubro  tornou-se o mês nacional de prevenção da doença no país. Para mobilizar a população americana sobre a importância da ação, as cidades começaram a se enfeitar com laços rosas.

No Brasil, o primeiro sinal de envolvimento com o Outubro Rosa aconteceu em outubro de 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado com a cor rosa. Em outubro de 2008 o movimento ganhou ainda mais força e várias cidades brasileiras abraçaram a iniciativa.

Este mês é dedicado à participação da população no combate ao câncer de mama, promovendo a conscientização sobre a doença e enfatizando a importância da prevenção e dos cuidados entre as mulheres. Outubro, então,  tornou-se o mês dedicado à mulher.

Pensando nisso, o Observatório do Esporte de Minas Gerais destaca três atletas que superaram a doença e continuam atuando no âmbito esportivo. Confira:

 Raquel Viel

Raquel Viel com a medalha de ouro dos 100m costas S12 do Parapan de Toronto 2015 (Foto: Washington Alves/MPIX/CPB)

Raquel Viel com a medalha de ouro dos 100m costas S12 do Parapan de Toronto 2015 (Foto: Washington Alves/MPIX/CPB)

A atleta paralímpica de natação, Raquel Viel, de 34 anos, que tem apenas 10% da visão e já foi campeã e recordista Panamericana, das Américas e brasileira, foi diagnosticada com câncer de mama, venceu a doença e voltou a competir.

O amor pela natação começou ainda na infância, quando tinha 9 anos. Incentivada pela mãe, para conseguir maior independência social, Raquel Viel aprendeu, por meio da água, que sua limitação visual poderia lhe abrir novas oportunidades na vida.

Representante do Brasil na Paralimpíadas de Londres, em 2012, no Parapan Guadalajara 2011, no Mundial de Eindhoven, na Holanda, em 2010, e no Mundial, no Rio de Janeiro, em 2009, Raquel descobriu um tumor nas mamas, contudo os exames afirmavam se tratar de um tumor benigno e por isso voltou aos treinos normalmente.

A atleta foi às Paralimpíadas do Rio, conquistou o quarto lugar e o melhor tempo da carreira. Nem deu muito para comemorar. Após o evento, descobriu que o nódulo era mesmo um câncer e como ela perdeu a mãe por conta de um linfoma, tudo isso a desmotivou a competir.

Por achar que seria impossível seguir como atleta profissional, continuou com a natação apenas para ter um motivo para se levantar da cama e não tomar antidepressivos.  Apesar de cansada e com bem menos capacidade aeróbica por conta do intenso tratamento, Raquel não deixava de nadar – sem exercícios, perdia ainda mais a disposição. Assim, a atleta reduziu a quantidade de treinos de oito para seis vezes por semana e, como eles ficaram mais curtos, ela pôde aumentar a intensidade – tudo, claro, com aprovação do médico.

Para a surpresa de todos, os treinos estavam indo muito bem até que Raquel decidiu voltar a competir e, assim, conseguiu  classificar-se para o Mundial Paralímpico de Natação, no México. A classificação foi como ganhar um ouro!

Desde que atingiu o tempo necessário para se classificar, a atleta teve que retirar parte da mama, interromper os treinos e voltar lentamente, pois o nado de costas exige o giro completo dos braços. Hoje, Raquel já acompanha as outras atletas que competem com ela e esclarece que o apoio da família, do treinador e da equipe médica foram fundamentais para que ela fosse capaz de bater sua própria marca.

Luciana Assmann

Eduardo Svezia/BOA FORMA

Eduardo Svezia/BOA FORMA

Educadora física, 52 anos, de São Paulo. Mesmo com uma vida saudável e ativa, ela recebeu o diagnóstico de câncer. E foi com exercícios que conseguiu vencer a doença e hoje ajuda outras mulheres a fazer o mesmo.

Luciana levava uma vida saudável: seguia uma alimentação correta, praticava atividade física diariamente, não fumava, nem bebia. Também não tinha nenhum histórico de câncer de mama na família. Por isso, aos 48 anos, o diagnóstico foi uma grande surpresa. Ao descobrir um tumor superagressivo foi preciso agir rápido, iniciando o tratamento na semana seguinte da descoberta da doença.

Como sempre praticou musculação e caminhada, Luciana queria manter a mesma rotina, mas tinha muita dificuldade de encontrar informações sobre a intensidade permitida. Depois de muita pesquisa em sites estrangeiros que já haviam desenvolvido pesquisas na área, percebeu que ao se exercitar, ainda que fosse uma caminhada de 15 minutos dentro de casa, a ajudaria a sentir menos os efeitos colaterais da quimioterapia e ainda garantia que ela mantivesse a força muscular e um sono de maior qualidade. A musculação com carga leve ativava a circulação e diminuía dores e câimbras; enquanto o alongamento a preparou para a etapa final do tratamento, a radioterapia, que exige ficar esticada na maca, com os braços para trás, completamente imóvel.

Luciana foi muito questionada por outras pacientes sobre como conseguia estar bem fisicamente. Ela sempre dizia o que fazia para que elas tentassem também e, na semana seguinte, a contavam o bom resultado que obtinham. Sem perceber, já estava mudando o rumo da sua carreira: há quatro anos, ela trabalha como personal trainer especializada em atender pessoas que estão enfrentando o câncer.

Bárbara Matos

Foto: Paula Quirino/Arquivo pessoal

Foto: Paula Quirino/Arquivo pessoal

Bárbara estava decidida a não largar o jiu-jitsu, o qual praticava há quase 20 anos, mas a vontade de lutar foi embora quando começou a perder os cabelos devido ao tratamento. Aos 29 anos, descobriu um câncer de mama agressivo, com metástase na axila. Havia risco de se espalhar para outros órgãos e, por isso, iniciou o tratamento imediatamente (o tumor cresceu de 2 para 6 centímetros em apenas 30 dias).

Depois de passar máquina zero nos fios, ela só conseguia ficar sentada fora do tatame, vestida com o quimono e o lenço na cabeça. Ela ainda não estava preparada para se expor ao público. Atleta em competições amadoras, Bárbara perdeu toda força que tinha durante as disputas. Antes treinava seis horas por dia, mas a quimioterapia a debilitou: sentia fadiga, câimbra, formigamento nas extremidades do corpo e sonolência.

Havia também a questão da autoestima, mas a atleta pôde contar com o apoio dos colegas de treino: “Um dia, todos eles apareceram carequinhas para treinar. Nas TVs da academia, passava o filme de quando eles rasparam a cabeça em solidariedade a mim. Não me restou outra alternativa, né? Tirei o lenço e voltei a me exercitar, mesmo que em um ritmo leve.”,  conta Bárbara. Assim, ela saía da quimioterapia ao meio-dia e, 15 minutos depois, já estava no tatame, cansando o corpo e arejando a cabeça. E o melhor: ao lado dos amigos. A doença era um adversário que ela precisava encarar.

Então, assim como faz com suas oponentes, traçou sua estratégia de luta e foi para cima! Após seis meses, 28 sessões de radioterapia e uma cirurgia de retirada das duas mamas, ganhou 20 quilos. Contudo, já curada, Bárbara decidiu que era hora de lutar novamente, só que agora para recuperar a forma. A atleta trocou o nutricionista oncológico pelo esportivo, dá preferência a alimentos orgânicos e pouco processados e evita o consumo de açúcar e de farinha branca. Perdendo 32 quilos, a mudança de hábitos foi fundamental para melhorar a autoestima e também para proteger seu corpo do câncer.

Observatório do Esporte de Minas Gerais

(Com informações do site Revista Boa Forma)

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