Não prevenir e combater a obesidade infantil aumenta o risco de grandes doenças

Publicado em 21/09/2017 por

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Reprodução/Shuttestock

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A obesidade já manifestada na infância provavelmente continuará na vida adulta, segundo a presidente do Comitê de Endocrinologia da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), Ivani Novato da Silva. “Existem vários estudos mostrando que 80% das crianças com excesso de peso na faixa pré-escolar irão se tornar adultos obesos. Logo na infância já aparecem os primeiros problemas: menor oportunidade de brincar e praticar atividades físicas, o bullying e a baixa autoestima, dificuldade de socialização, agregados aos problemas físicos, que começam a aparecer nessa faixa etária, como problemas ortopédicos, elevação da pressão arterial e diabetes”, afirma. Para ela, o ideal na luta contra a doença é a prevenção, não deixando as crianças ganharem peso e as orientando para uma alimentação adequada e uma rotina saudável, como não passar mais de 2h em frente a TVs, celulares, computadores, além do estímulo à atividade física.

As precauções devem começar ainda no intraútero. Segundo estudos disponibilizados pela SMP, a gestante com sobrepeso e o parto por cesariana aumentam em 34% a chance de obesidade na criança. Após o nascimento os pais devem ficar atentos ao uso da mamadeira já que, diferentemente da amamentação, não permite o controle natural da fome do bebê. O Governo Federal, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, realiza a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, uma ação que busca o processo de trabalho dos profissionais da atenção básica com o intuito de reforçar e incentivar a promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável para crianças menores de dois anos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

A alimentação saudável é a principal forma de combate e prevenção à obesidade. Os fatores genéticos estão envolvidos em menos de 5% dos casos da doença, sendo que, mesmo assim, o indivíduo precisa comer mais do que o necessário para engordar. A nutricionista Cláudia Dias frisa que a infância é o momento para o desenvolvimento do paladar e a criação do hábito alimentar. “Precisamos tirar a ideia de que temos de agradar as crianças com guloseimas e alimentos ricos em açúcar e gordura. Se elas comem inadequadamente, desenvolvem o paladar para isso”, afirma. Segundo a profissional, as famílias devem inserir na dieta alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras, oferendo uma alimentação colorida e fracionada, além de ensinarem a importância do café da manhã e da mastigação.

Alimentação saudável também é responsabilidade da escola

Reprodução/Shutterstock

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Em Minas Gerais, a Lei nº 15.072 de 5 de abril de 2004 rege que o estado deve orientar o desenvolvimento de programas de educação alimentar e nutricional nas escolas, para o estímulo à formação de hábitos saudáveis nas crianças e adolescentes. Também diz sobre a integração pedagógica de temas transversais relacionados à saúde e a conscientização.

Já a Lei nº 18.372 de 4 de setembro de 2009 e que acrescenta dispositivos à primeira, rege o fornecimento e a comercialização de alimentos de qualidade nutricional compatível com a promoção da saúde dos alunos e da prevenção da obesidade infantil, vedando aqueles com alto teores de calorias, açúcar e gorduras. Cláudia fez parte da equipe responsável pela lei e ressalta o papel da escola na educação alimentar. “Elas têm como obrigação promover a alimentação saudável, tendo que assumir o papel como educadora alimentar, percebendo a importância da saúde”, explica.

Doenças precoces

Compartilhando a opinião de Ivani, a nutricionista sustenta que a obesidade infantil torna precoce outras grandes doenças. “Os problemas não acontecem lá na frente. Existem casos de crianças com colesterol e triglicerídeos altos, além de diabetes. Os adultos enfrentam situações de AVC e riscos cardiovasculares mais cedo, por exemplo”, diz.

Um estudo realizado por médicos da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, analisou 242 adolescentes à espera de uma cirurgia de redução de peso. Quase metade dos participantes tinha hipertensão arterial, 15% estavam diabéticos e 75% apresentavam níveis alterados de uma proteína associada à doença cardíaca.

Atividades físicas são fundamentais

Reprodução/Shutterstock

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Apesar de uma dieta adequada ser a principal forma de prevenção e combate à obesidade, as atividades físicas e os esportes são fundamentais para uma vida saudável. Através do gasto energético e calórico acontece a melhora de vários índices na saúde, como o do colesterol, dos triglicerídeos, do condicionamento físico.

Segundo o educador físico infantil Fernando Provete, as crianças estão acostumadas a ficar em casa por muito tempo, em frente aos aparelhos eletrônicos, tornando-se sedentárias logo cedo. Para mudar a situação ele propõe uma rotina de atividades lúdicas. “Os exercícios precisam ser prazerosos e criarem o desejo de continuar na prática, trabalhando aspectos sociais, afetivos e cognitivos. Quando há diversão, existe a melhora no quadro da obesidade”, explica. Fernando condena os exercícios inadequados que muitas vezes são ensinados às crianças. “O que vejo acontecendo muito são atividades inapropriadas que as fazem perder o interesse. Elas não podem ser tratadas como adultos em miniatura”, completa.

Estar um pouco acima do peso e não gostar de atividades físicas foram alguns dos motivos que levaram Hélida Machado a colocar a filha Maria Luiza, de nove anos, nas aulas com Fernando. “Quando ela começou, aos sete, ficava muito tempo em frente à TV, era indisposta. Hoje, ela já gosta de exercícios, é mais ativa e tem uma melhor coordenação motora”, relata. Hélida também conta que houve uma melhora fundamental na alimentação. “Hoje ela se alimenta com um espaçamento mais adequado, come frutas, legumes, além de comer menos do que antes, reduzindo seu peso”, diz. Para manter uma dieta apropriada para Maria, a mãe busca estar atenta ao que coloca na mesa e ensinar sobre os hábitos saudáveis.

O que pode ser feito

Diante do crescimento do número de crianças obesas no mundo, a OMS divulgou em janeiro de 2016 o relatório da Comissão pelo Fim da Obesidade Infantil (ECHO, em inglês), que propõe recomendações aos governos no combate à doença.

São elas: a implementação de programas que promovam a ingestão de alimentos saudáveis; ações que promovam atividades físicas; integração e reforço de orientação para doenças não transmissíveis; fornecimento de informações para uma dieta saudável, sono e atividade física, garantindo que as crianças cresçam de maneira adequada; programas que promovam ambientes escolares saudáveis e atividade física na infância e  adolescência; fornecimento de serviços de gestão de peso para crianças e jovens obesos.

Vítor Gomes/Secretaria de Estado de Esportes 
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