“O esporte é a melhor forma de inclusão e reabilitação”. É o que diz a treinadora Simone Martins

Publicado em 26/07/2017 por

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Divulgação/Educação Física Adaptada – APAE Ipatinga

Não é só no atletismo que podemos encontrar barreiras. No esporte paralímpico elas estão sempre presentes, mas, com muita perseverança e apoio, Minas Gerais vem revelando muitos atletas.

A treinadora Simone Martins, de Ipatinga, tem sido uma dessas apoiadoras que, com muita dedicação, acredita no potencial de cada atleta, fazendo com que as barreiras do atletismo paralímpico  mantenham-se somente nas pistas.

Confira a entrevista completa feita pelo Observatório do Esporte de Minas Gerais.

Como você conheceu o esporte?

Eu já fui atleta da modalidade e já trabalhei também com o atletismo olímpico. Mas em 2012, Ipatinga foi um dos polos do Festival Paralímpico e então  pude participar da bocha e do atletismo. Nesse ano optei por trabalhar com o esporte paralímpico.

Há algum técnico ou técnica que seja um grande exemplo para você?

Admiro muito o técnico Rogério Borges de Uberlândia, que tem me ajudado muito com o esporte paralímpico.

Fale sobre a rotina de seus atletas nos treinos. Há diferença no treinamento de atletas com deficiência e sem deficiência? 

Eu trabalho com a deficiência intelectual, física e visual, então é preciso ter paciência e perseverança para ensinar as técnicas da modalidade para os atletas. No caso do deficiente intelectual você tem que ter mais paciência ainda, uma vez que tem o cognitivo comprometido, o que demanda tempo para o aprendizado. A coordenação motora dos deficientes físicos é algo que precisa ser tratado com cuidado e necessita de um trabalho a mais e, no caso do deficiente visual, você tem que tocá-los sempre, para que eles possam sentir os movimentos.

Como você avalia a estrutura do esporte paralímpico no Brasil e em nosso estado?

No Brasil estamos evoluindo cada vez mais. Contudo, em Minas Gerais estamos aquém, pois temos muitos atletas paralímpicos, mas falta apoio tanto para os atletas, quanto para os técnicos.

Como você avalia as categorias de base atualmente? Podemos esperar novos talentos surgindo nos próximos anos?

Podemos sim, porém com poucas competições em nível de base no estado, tendo em vista que só temos os Jogos Escolares de Minas Gerais. Temos vários exemplos de atletas paralímpicos que participaram de jogos escolares, como o Rodrigo Parreira, de Uberlândia, que foi bronze nos 100 metros rasos do Mundial de Atletismo Paralímpico que terminou no último domingo (23).

Se tivéssemos mais competições de base, Minas Gerais hoje seria uma potência do esporte.

Para você o que significa o esporte?

O esporte para mim é a melhor forma de inclusão social e de reabilitação. É um sentimento de pertencimento para as pessoas com deficiência.

Qual a sensação de ter sido premiada no “Melhores do Ano 2016”? 

É um sentimento de reconhecimento do trabalho prestado às pessoas com deficiência da minha cidade.

Cite uma conquista marcante:

Minha atleta, Keidiana da Silva, foi campeã brasileira paralímpica escolar no ano passado e foi a primeira atleta mineira a receber medalhas nessa modalidade. Ela é uma atleta de vulnerabilidade social altíssima e através do esporte nós a estamos resgatando.

9) Um recado para os técnicos que queiram iniciar carreira no esporte ou que estejam começando.

Tenham perseverança,  estudem e conheçam os tipos de deficiência, as limitações de cada atleta e respeitem. Sejam presentes na vida desses meninos porque, na maioria das vezes, tornamo-nos não só técnicos, mas professores e pais deles, sendo de certa forma os heróis.

Nós somos as pessoas que acreditam no potencial dos atletas quando a sociedade os marginaliza.

Observatório do Esporte de Minas Gerais

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