“O esporte representa muito no acontecer da existência do ser humano”, afirma a professoraTheresinha Ribeiro Bomfim

Publicado em 01/08/2017 por

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Profa. Theresinha ao centro, Katya e Jane (Presidente e Vice da Federação Mineira de Ginástica – FMG

Chamada de ginástica moderna, a ginástica rítmica é uma combinação de técnicas de movimentos, de respiração, de relaxamento e dança. Toda essa complexidade é semelhante à complexidade do trabalho da Professora Theresinha Bomfim, que dirigiu por 17 anos a Federação Mineira de Ginástica e é uma das difusoras da ginástica em Minas Gerais, em suas 5 modalidades: Ginástica Rítmica, Artística, de Trampolim, Aeróbica e Acrobática. Tal entrega rendeu-lhe inúmeras conquistas, entre elas compor os Melhores do Ano 2016.

Confira a entrevista completa feita pelo Observatório do Esporte de Minas Gerais.

Conte um pouco de sua trajetória no esporte e como chegou à Ginástica.

Iniciei minha vida esportiva jogando voleibol. Morava no interior e quando vim para Belo Horizonte tive a oportunidade de conhecer a ginástica. Durante anos pratiquei a ginástica em um grupo formado no Minas Tênis Clube.  Posteriormente fui para o Rio de Janeiro, onde fiz parte do famoso grupo da Professora Ilona Peuker. Participei também da equipe da Universidade do Chile, onde morei por alguns anos. Voltando ao Brasil fui para Brasília e Goiânia lecionar.  Retornando a Belo Horizonte comecei a lecionar Ginástica Artística e Ginástica Rítmica na Escola de Educação Física da UFMG. Em seguida fundei o Grupo de Ginástica Moderna – GRUGIM, incluindo mais tarde a Ginástica Artística e formando ginastas de ponta em nível internacional, em ambas modalidades.

Qual é sua formação e qual a importância da formação profissional de um atleta?

Após minha formação em curso de graduação na Escola de Educação Física, tive a oportunidade de participar de inúmeros cursos de aperfeiçoamento, tanto no Brasil como no exterior, incluindo aí especializações e mestrado. Um atleta precisa e deve pensar em seu futuro, não dispensando também uma boa formação profissional para sua subsistência.

 Cite um momento marcante em sua carreira.

Foram muitos os momentos marcantes – como ginasta, como árbitro internacional, como técnica, como dirigente. Cada momento em seu tempo.

Foram 17 anos de um trabalho árduo na Federação Mineira de Ginástica. Quais foram os principais desafios e aprendizados?

No início a falta de organização da Federação e uma ginástica em decadência. Também a inexistência de material esportivo adequado e local específico para o treinamento foram grandes desafios. Com um bom planejamento e a ajuda imprescindível da Secretaria de Esportes do Estado adquirimos os equipamentos necessários para a Ginástica Artística, que foram importados da Alemanha, a aquisição de tapetes para a Ginástica Rítmica e também equipamentos para a Ginástica de Trampolim, além de subsídios financeiros para a realização de nossa programação de competições e cursos com todos os requisitos de qualidade e eficiência exigíveis em alto nível.

Há tantos anos à frente do esporte, você se torna inspiração para vários atletas, principalmente para os jovens. Como você avalia a participação da Ginástica   em Minas Geais, desde a base até o alto rendimento?

O trabalho de difusão da Ginástica Rítmica começou há alguns anos, antes de Minas Gerais participar ativamente de competições nacionais, que, na verdade, não existiam ainda. O único grupo de destaque era o Grupo Unido de Ginástica (GUG) do Rio de Janeiro, dirigido pela Professora Ilona Peuker. Em Minas iniciamos, com muita disposição e trabalho, a formação de uma equipe competitiva e  com possibilidade de participar em nível nacional. Era o início do surgimento do Grugim, grupo formado para a prática específica da ginástica, isso no final da década de 60 e início de 70. Essa fase oportunizou-nos a formação de grandes equipes (adulta e juvenil) que se destacaram em eventos nacionais. Hoje Minas desenvolve magnífico trabalho em GR, por meio da competência e da dedicação de suas técnicas.

Felizmente pudemos formar um grande número de atletas que mais tarde se tornaram técnicos e dirigentes. É uma grande satisfação saber que todos, em todo o estado e modalidades, realizam trabalhos de ponta na ginástica, com muito amor e dedicação, elevando cada vez mais o desenvolvimento das diversas modalidades em nosso Estado. A nossa visão de incentivo ao esporte escolar foi fundamental para o crescimento da ginástica mineira.  Os recursos oriundos da Secretaria de Esportes, em todas a gestões, contribuíram decisivamente para os bons resultados obtidos.

O que representou a premiação do “Melhores do Ano 2016” para você?

Foi uma grande surpresa ser lembrada após muitos anos afastada da FMG. Tentei, sem medir sacrifícios e com ajuda de diversos colaboradores, elevar a ginástica mineira, incentivando a criação de novos clubes, promovendo competições em todo o Estado, organizando cursos de aperfeiçoamento dos técnicos e árbitros, dando apoio no que era possível para o desenvolvimento das modalidades da ginástica. A indicação muito me emocionou.

Para você o que significa o Esporte?

O Esporte é um dos pilares da formação global do indivíduo tanto no aspecto físico, educacional, como psicossocial. Bem orientado é um grande esteio para a formação do ser humano e deve ser a escola, primeiramente, a maior responsável para organizar e conduzir o processo como um todo.

Um recado para os técnicos que queiram iniciar carreira no esporte ou que estão começando:

Preparem-se eficientemente, acreditem em seus objetivos e nunca desistam do sonho de contribuir para a formação total do ser humano e, se possível, formar grandes esportistas. Lembrem-se de que nem todos serão medalhistas, mas o rendimento esportivo não está somente em alcançar o pódio, mas também na melhoria do próprio rendimento em comparação ao que era antes.

Ao encerrarmos esta entrevista gostaria de agradecer o apoio da Secretaria de Estado de Esportes, à Confederação Brasileira de Ginástica e a todos os nossos Diretores Técnicos das diversas modalidades, Técnicos, Ginastas, Entidades filiadas e, principalmente ao Professor Ivany de Moura Bomfim, meu esposo e ex Diretor da Escola de Educação Física da UFMG, cuja presença em todos os momentos dos 17 anos que estivemos à frente da Federação Mineira de Ginástica muito nos ajudou com seus conhecimentos, fruto da larga experiência no Esporte.

Observatório do Esporte de Minas Gerais

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