Segundo Abraão Coelho, “Bons espaços, para bons eventos” é o maior desafio do futebol americano mineiro

Publicado em 21/09/2017 por

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Abraão Coelho, quarterback do Minas Locomotiva / Foto: Cristiane Mattos

No início era somente papo para fóruns na internet. De 2005 até hoje, o Minas Locomotiva é uma realidade. Com muita dedicação, Abraão Coelho acompanhou de perto cada passo da equipe e participou de cada etapa do crescimento, chegando à presidência do clube e permanecendo até o ano passado.

Atualmente, Abraão é quarterback* do time e conversou um pouco com o Observatório do Esporte sobre a história do Minas Locomotiva e sua trajetória como atleta. Confira:

Qual a sua relação com o esporte e como sua história cruza com o futebol americano?

Eu jogo futebol americano desde 2006. Comecei a jogar no Minas Locomotiva e peguei o início da equipe, a fase em que o time estava se equipando. Em 2007 surgiram os primeiros campeonatos interestaduais, envolvendo vários times do país e estávamos lá participando, inclusive dos processos de compras de materiais. Em 2008 e 2009 já havia campeonatos pelo Brasil, mas o Locomotiva começou a participar em 2010 totalmente equipado. Peguei todo período de evolução do esporte até o nível que estamos agora.

Foto: Minas Locomotiva/Divulgação

Foto: Minas Locomotiva/Divulgação

O Minas Locomotiva surgiu de encontros no Parque Ecológico para que fãs da modalidade pudessem praticar. Quando você conheceu a equipe e como integrou o time e chegou à presidência?

Na verdade, a primeira ideia surgiu em fóruns de conversa online e em 2005 começaram os primeiros encontros que inicialmente eram na Praça JK, pouco tempo depois os treinos começaram a ser no Parque Ecológico da Pampulha, de uma maneira mais organizada visando as competições.

Agora os treinos acontecem no Bairro Castelo e, aos sábados, no 12º Batalhão de Infantaria no Barro Preto.

Existe alguma personalidade da modalidade que lhe inspire?

É complicado porque são vários, mas tem uns nomes até famosos que posso citar: o próprio Tom Brady, excelente jogador e detentor de vários recordes da National Football League (NFL), que é a maior liga de futebol americano do mundo; Peyton Manning, quarterback aposentado que teve uma carreira fantástica; Ray Lewis, jogador de defesa do Baltimore Ravens, que aposentou há dois anos. Todos esses são personalidades que nos inspiram, pois deixaram sua marca na NFL, que é a liga mais competitiva do mundo. Mas não podemos deixar de falar do Cairo Santos, que é brasileiro e kicker**,  do Kansas City Chiefs e, além disso, é embaixador da NFL no Brasil, fazendo training camps aqui, e isso é um ponto de confluência muito grande. A própria Liga tem reconhecido nosso país como um público potencial, por isso usamos essas pessoas como referência para fazer o melhor dentro e fora de campo. 

Sabe-se que o Futebol Americano está cada vez mais popular no Brasil. Qual o maior desafio para promover a modalidade em Minas Gerais?

Eu vejo como o maior desafio os espaços. Hoje temos uma cultura de realizar um evento em torno do futebol americano. Quando as pessoas vão a uma partida querem ouvir uma música legal, comidas típicas e muitas vezes esses espaços não são encontrados com conforto para o público. 

Outro desafio é tornar a modalidade pública. Hoje, com as redes sociais, o alcance é muito maior, prova disso foi a cobertura incrível que tivemos do Campeonato Mineiro, principalmente da abertura, no Independência, e da final, no Mineirão. Isso deu muita visibilidade não só para o evento, mas para o futebol americano em si e para o principal: equipes de Minas e público podem ver que  estamos muito maiores do que o imaginado. 

O maior desafio é esse: bons espaços, para bons eventos.

Toda essa popularidade acaba atraindo muitos jovens para a modalidade, despertando o interesse não só como expectadores, mas para a prática. Existem trabalhos de categorias de base feitos em nosso estado? Como você avalia o trabalho que está sendo feito?

Foto: Abraão Coelho/Acervo pessoal

Foto: Abraão Coelho/Acervo pessoal

Em nível nacional e estadual as categorias de base têm crescido muito. O Minas Locomotiva, especificamente, tem uma equipe de base chamada Minas Locomotiva Jr, que vem desenvolvendo atletas há um bom tempo. Os principais atletas da equipe profissional vieram da base, vários desses meninos estão fazendo ensino médio nos Estados Unidos, outros, faculdade no México ou participando de campings no Canadá, então é fundamental que façamos um bom trabalho de base. 

Neste ano a Federação Mineira de Futebol Americano (FEMFA) promoveu um training camping*** sub-19, um fim de semana intensivo de preparação de atletas, visando a formação da Seleção Mineira e temos visto que as equipes têm se preocupado com esse tipo de trabalho, tendo em vista que o Locomotiva está mandando atletas e várias outras equipes de Minas estão mandando meninos para esse treinamento.

Ainda faltam competições para essas categorias, mas isso tem mudado e isso é muito bom, pois temos atletas com seus 20, 21 anos que jogam desde os 15, estando assim bem mais preparados.

Descreva uma conquista marcante:

Com certeza a final da terceira edição do Campeonato Mineiro. Além de ter sido um jogo apertado e virado nos últimos minutos da partida, foi a realização de um sonho ter jogado em um estádio como o Mineirão. Eu digo que, enquanto atleta, não tinha nem expectativas de ver isso acontecer. Passamos por uma evolução muito rápida para conseguir entrar nas grandes arenas, mas jogar perante quase 9 mil pessoas no maior estádio de Minas e praticando esse esporte na terceira edição do Campeonato Mineiro com a equipe que eu ajudei a criar foi algo incomparável.

O ápice foi entrar no Mineirão com 9 mil pessoas torcendo e tendo contato de altíssimo nível com o futebol americano. Isso foi o ápice da minha história enquanto atleta e enquanto gestor.

Vitória do Minas Locomotiva por 21 a 17 contra o BH Eagles. A equipe conquistou pela terceira vez seguida o título de Campeão Mineiro de Futebol Americano. / Foto: Agência Liga

Vitória do Minas Locomotiva por 21 a 17 contra o BH Eagles. A equipe conquistou pela terceira vez seguida o título de Campeão Mineiro de Futebol Americano. / Foto: Agência Liga

Qual a sensação de ter sido premiado no “Melhores do Ano 2016”?

Foi muito bacana para mim, pois tivemos um contato muito próximo com a Secretaria de Esportes do estado no ano passado e continuamos tendo por meio da Federação. Muito do que foi conquistado nesse período foi por meio desse apoio.

É um reconhecimento do nosso trabalho que vem sendo desenvolvido há 11 anos, e ter conquistado esse olhar estadual é a prova de um trabalho bem feito. Foi uma conquista de muito suor, muito sacrifício, mas estamos colhendo os bons resultados. É um sentimento de gratidão muito grande e recompensador.

Um recado para os jovens que queiram iniciar carreira no futebol americano ou que estão começando.

O futebol americano é um esporte extremamente inclusivo, comporta diversos biotipos físicos, diversos tipos de habilidade, pois esses fatores não devem ser um empecilho. É um esporte que está começando e que é ensinado. Depende muito mais de compromisso e disciplina do que de uma habilidade natural.

Podem procurar, pois em Belo Horizonte há 4 equipes; na Grande BH temos 06 e em todo estado são mais de 35 equipes, fazendo com que os atletas tenham muito mais possibilidade de conhecer o esporte e nele crescer. De repente  tornar-se um atleta melhor, o que é bem diferente de quando eu comecei.

Não deixem que uma dificuldade aparente acabe lhes afastando do esporte porque o futebol americano é uma modalidade muito fácil de começar a jogar e de desenvolver habilidades. Vale a pena encarar esse desafio e encarar uma nova modalidade que está crescendo sem igual no país inteiro.

Conhecendo o futebol americano: entenda alguns termos da modalidade, usados na entrevista:

*Quarterback: no futebol americano, o Quarterback é o cérebro do time, é por ele que passam todas as jogadas. É responsabilidade dele também passar qual vai ser a jogada para todos os jogadores do time.

**Kicker: uma partida de futebol americano sempre começa com um chute, e é exatamente o kicker quem dá esse chute inicial, chamado de kickoff, que tem como objetivo entregar a bola para o time adversário, o mais próximo da linha de endzone. Mas ele também aparece logo após os touchdown, para efetuar o chute ao gol e tentar marcar o ponto extra. A última forma de efetuar um chute é na hora de chutar o field gol, onde o kicker tem que colocar a bola entre as traves em formato de “Y”.

***Training canping: acampamentos, geralmente durante os fins de semana, onde são feitos treinamentos intensivos da modalidade e até mesmo seletivas.

Observatório do Esporte de Minas Gerais

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