Observatório do Esporte entrevista Caratinga, líder do ranking do ICMS Esportivo.

Publicado em 03/02/2017 por

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Há sete anos atrás, Caratinga participava pela primeira vez do ICMS Esportivo, um dos critérios utilizados pela Lei nº 18.030/2009 para distribuição da cota-parte do ICMS pertencente aos municípios. Em seu primeiro ano (2010, que teve 2009 como ano base), o município ficou na 12ª colocação no ranking do mecanismo.

Era só o começo. Isso porque Caratinga conseguiu ser líder por dois anos consecutivos (2015 e 2016). Mas como o município conseguiu alavancar no ranking? Como o líder vê o papel do esporte na sociedade? Essas e outras perguntas estão na entrevista com a gestora esportiva Juleny Mattos, que representa Caratinga.

Dentre os 274 municípios que participaram do ICMS Esportivo ano base 2015, Caratinga ficou em primeiro. Fica uma sensação de dever cumprido pelo município?

Quando nós começamos a participar do ICMS Esportivo 2010 (ano base 2009), nosso trabalho não era reconhecido. Todos eram bons, menos Caratinga. Logo no primeiro ano, nós saímos em 12º lugar, que foi um susto. Se nós éramos ruins, como nós saberíamos chegar nesta classificação? Percebemos que o ICMS Esportivo não é só um retorno financeiro. É um inventário, como se fossem os dados do IBGE do esporte. Ano após ano munindo o Sistema de Informação, fomos percebendo que não éramos apenas futebol. As outras modalidades foram crescendo, sendo esse um dos nossos objetivos. O relatório nos dava informações para que lado precisávamos expandir, aumentar investimentos. Nós começamos a direcionar esportes em áreas que antes nós não tínhamos tanta preocupação. Atualmente precisamos investir mais em esportes paraolímpicos.

“Percebemos que o ICMS Esportivo não é só um retorno financeiro. É um inventário, como se fossem os dados do IBGE do esporte. Ano após ano munindo o Sistema de Informação, fomos percebendo que não éramos apenas futebol.”

Quando começamos a publicar documentações referentes ao ICMS Esportivo, as pessoas não estavam entendendo. Mas quando a imprensa local começou a noticiar sobre o programa e a população viu que Caratinga era o carro-chefe da região, começamos a ganhar visibilidade, criando, assim, uma facilidade para trabalhar, pois em prefeitura o último quesito que costumam repassar verba, é para o esporte (priorizando saúde, educação, assistência social…). Eu, por exemplo, sou a mesma gestora desde 2010. Passei por três gestões de prefeitos. Nunca havia acontecido algo igual. Isso dá uma sequência de trabalho. Pois quando há um novo mandato de um novo prefeito, saem todos, entram novos servidores e assim começa tudo do zero. As vezes o cidadão chega e afirma: “não aconteceu nada em determinado bairro”. Aí nós puxamos toda a documentação de eventos realizados naquele determinado lugar. O ICMS, assim, é muito mais do que um recurso. Ele mapeia o que fazemos e o que precisamos fazer.

As vezes o cidadão chega e afirma: “não aconteceu nada em determinado bairro”. Aí nós puxamos toda a documentação de eventos realizados naquele determinado lugar e mostramos para ele.

Como o município vê o papel do esporte na sociedade?

O esporte em Caratinga começou a ganhar entendimento após o ICMS Esportivo. Os Jogos Estudantis, por exemplo, comparecem 2.200 alunos, o que significa, pelo menos, 2 mil famílias beneficiadas. Assim, começam a ver que o esporte tem lastro. Nossos corredores participavam de provas em cidades vizinhas e em outros lugares. Atualmente correm em pelotões de elite. E todos estão comprovando. Atletas do Jiu Jitsu, Taekwondo e Tiro Esportivo também participam. Só precisávamos de publicidade. A exigência do ICMS Esportivo com Caratinga e do município com os atletas, dá a entender que existe esporte na cidade.

O atletismo evoluiu e nós também evoluímos quanto ao número maior de praticantes. Isso é o verdadeiro crescimento da cadeia produtiva do esporte. Antes quando eu conversava com jornalistas, eu pensava em uma dúzia de modalidades. Já a imprensa pensava apenas em futebol. Hoje isso mudou e já há uma pluralidade. Taekwondo e Jiu Jitsu, por exemplo, representam Caratinga em competições nacionais, e isso está sendo divulgado o tempo todo. Possuímos atletas de 70 anos, então isso mobiliza uma faixa etária que nunca praticava esportes. Muito disso se deve a publicidade.

Antes quando eu conversava com jornalistas, eu pensava em uma dúzia de modalidades. Já a imprensa pensava apenas em futebol. Hoje isso mudou e já há uma pluralidade. Taekwondo e Jiu Jitsu, por exemplo, representam Caratinga em competições nacionais, e isso está sendo divulgado o tempo todo.

Caratinga ficou em primeiro lugar no ano base 2014 e no ano base 2015. A que o município atribui estas conquistas?

Nós estamos melhorando nossa capacidade de informar, pois o poder de investimento não foi alterado. A exigência no envio de documentações é grande. Os projetos existem, mas ninguém se preocupa, por exemplo, em colocar nome na lista de participantes. Mas agora isso está sendo feito pois estamos exigindo. Quando eu vi a importância destes relatórios como um censo do esporte no município, eu comecei a chamar a atenção dos agentes esportivos para documentar tudo, para que quando viesse uma Lei de Incentivo ao Esporte e que pedisse comprovação dos dois últimos anos, que mostremos o mesmo documento do ICMS Esportivo, significando competência técnica. O ICMS passa a profissionalizar as pessoas quanto a documentação, preparando para outros editais. A validação do documento por parte do Estado traz credibilidade. Isso vale mais do que os R$200 mil.

Quando eu vi a importância destes relatórios como um censo do esporte no município, eu comecei a chamar a atenção dos agentes esportivos para documentar tudo, para que quando viesse uma Lei de Incentivo ao Esporte e que pedisse comprovação dos dois últimos anos, que mostremos o mesmo documento do ICMS Esportivo, significando competência técnica.

Um recado para os municípios que não participam do ICMS Esportivo e que queiram participar

Nós, do departamento de esportes, lutamos muito para fazer algo que, aos nossos, olhos, é pouco em relação à demanda. No entanto, se o gestor municipal não tiver compreensão, parceria e não tiver gosto ao esporte, nada acontece. Não vai haver reconhecimento, pois o público não vai ver. Fui a um fórum que alguns municípios questionaram sobre o ICMS Esportivo, dizendo que é muito esforço para pouca verba. Mas aí eu disse: Sim, é pouco, mas não podemos nos dar ao luxo de ficarmos sem ela. É com esse pouco que fazemos muito. Minha mensagem é: se esforcem.

O esforço de fazer o inventário para inserir no sistema possui consequências benéficas em outras circunstâncias, como por exemplo, relação com patrocinadores, população, etc. Evita, por exemplo, que o município invista apenas em uma determinada modalidade.  Você pode apresentar a documentação, por exemplo, na Lei de Incentivo ao Esporte, tanto estadual como Federal o que vai dar mais credibilidade aos documentos. Você pode apresentar também para patrocinadores de empresas que vão olhar com outros olhos já que não é apenas aquilo que você está falando, mas também aquilo que pode provar.

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