Quem tem voz nas decisões das políticas do esporte?

Publicado em 15/05/2019 por

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Palestrante no IV Seminário Internacional de Gestão e Políticas Para o Esporte debate sobre quem realmente tem poder de decisão nas políticas esportivas.

O esporte é um fenômeno global. Enquanto é praticado em todas as partes do mundo e por pessoas totalmente distintas, é a base de um contexto altamente hierárquico em que poucos têm realmente voz na tomada de decisões, seja para regras ou rumos do esporte. Interesse público, o próprio interesse do esporte, interesses comerciais e/ou dos atletas, fazem com que a prática esportiva esteja em uma encruzilhada, nem sempre justa, para a tomada de decisão. O melhor caminho para o desenvolvimento esportivo, está, então, em uma melhor governança com equidade entre os elementos dessa cadeia esportiva que possa gerar uma história de sucesso.

Dra. Simone Kustec Lipicer fala sobre a necessidade de boas práticas de governança. Foto: Reprodução Youtube

Dra. Simone Kustec Lipicer fala sobre a necessidade de boas práticas de governança. Foto: Reprodução Youtube

A governança é um conceito muito necessário para a teoria e a prática de políticas públicas. Governança é uma das respostas potenciais que podem nos ajudar a entender a complexidade do século XXI, significando que pode nos ajudar a ser mais democráticos nas políticas públicas. A Dra. Simone Kustec Lipicer, Cientista política da University Ljubljana da Eslovênia, explica que a governança está interessada em quem são os interessados e quais são seus interesses em determinado assunto, especialmente em quais tipos de relação estão envolvidos para fazer melhores políticas. “A governança pode ser entendida como um conceito de uma perspectiva estrutural, focando primeiramente nos atores sociais que estão envolvidos nos processos e nessa perspectiva, acredita-se que todas as estruturas institucionais não são suficientes, sendo necessário fazer rearranjos das relações entre os atores sociais envolvidos”, afirma.

Atualmente este conceito de governança não pode ser utilizado em sua totalidade pois, há uma enorme desigualdade nas vozes entre os atores dessa cadeia esportiva. Segundo a cientista política, os atletas são cerca de 80% dos membros em organizações de controle e de representação do esporte. “Quando os atletas que estão representados em órgãos internacionais precisam ter voz, o que se vê é que apenas 11% de todos os corpos internacionais dará voz para atletas e treinadores e não se sabe se outros interessados têm voz e a possibilidade de votar ou não nesses corpos internacionais. A pergunta é: Quem está realmente decidindo? ”, indaga.

Ao observar este contexto pode-se perceber como o esporte é uma estrutura muito hierárquica e elitista. A Dra. Simone explica que hoje a estrutura é composta pelo Comitê Olímpico Internacional que está no topo de uma pirâmide e cria regras para o esporte no mundo todo, fazendo um trabalho de cima para baixo até chegar ao nível dos atletas em si. Um sentido de anti-governança.

Neste contexto, de acordo com a estrutura dos interessados, de quem é a voz que está sendo ouvida? Obviamente não é a voz dos atletas. Na prática aqueles interessados que não tem uma voz ou opinião expressa sobre seus interesses e perspectivas, não tem direitos nesse sentido. A cientista política questiona também uma regionalização das decisões centrada no continente europeu e que faz com que ela acabe servindo como modelo para outras partes do mundo. “A Europa é de fato o único exemplo do que é bom e é comparável com o resto do mundo de acordo com sua situação socioeconômica, sua cultura e suas raças e religiões? De acordo com o gênero, os homens não podem ser os únicos a decidir. Também por idade, é muito importante que tenhamos conhecimento e experiência e também memórias históricas, mas isso não basta, estamos avançando não indo parra trás”, indica.

Frente a todas essas observações, a Dra. Simone Lipicer conclui que a lógica para uma melhor governança no esporte deve aliar alguém capaz de regular, de tomar decisões, dando direito de voz a todos aqueles participantes reconhecidos, dando espaço para aqueles que estão ocultos se tornem visíveis. “Todos juntos decidindo tipos de regras, procedimentos, leis que serão implementadas. Todos devem ter oportunidades iguais para se tornar partes ativas desse tipo de organização esportiva. Um desafio para a organização do esporte”, conclui.

Sobre o projeto Inteligência Esportiva

O IV Seminário Internacional de Gestão e Política para o Esporte, uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR/IE). O Instituto de Pesquisa “Inteligência Esportiva” é uma ação conjunta entre o Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR) da Secretaria Especial de Esportes do Ministério da Cidadania. Esse projeto surgiu em 2013 com o objetivo de produzir, aglutinar, sistematizar, analisar e difundir informações sobre o esporte de alto rendimento no Brasil e analisar as políticas públicas para o esporte de alto rendimento.

A palestra completa da Dra. Simone Kustec Lipicer, pode ser encontrada em: https://bit.ly/2Q5OvqD

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