Uso de máscara durante exercícios físicos e a influência na performance do atleta

Publicado em 22/12/2020 por

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É inquestionável a importância do uso de máscaras no contexto de pandemia da Covid 19 em que vivemos, não apenas para nossa proteção, mas também para a segurança comunitária. Recentemente descobriu-se, por meio de pesquisas científicas, que o Sars-Cov-2, o vírus responsável pela doença, se espalha não apenas por meio de gotículas, mas também por transmissão aérea, ou seja, pelo ar. Além disso, constatou-se que a exposição ao vírus não garante que a pessoa não possa se infectar novamente, isto é, o vírus talvez não proporcione imunidade e isso se deve à rápida diminuição de anticorpos em um período de tempo relativamente curto.

Diante desse cenário, o uso de máscaras se mostra imprescindível e a eficácia do uso já foi comprovada: sem ela, aumentamos em 1.5x o risco de transmissão da Covid 19. A atribuição da máscara é servir como uma barreira física entre o ambiente externo e o nariz e boca, esta última servindo como passagem para que o ar chegue até os pulmões. As partículas e gotículas do ar inspirado e expirado pelo usuário são filtradas, o que impede que alguém contraia o vírus e também transmita para outras pessoas.

Atualmente, está acontecendo uma reabertura gradual de muitos estabelecimentos como academias e centros esportivos e, sabendo da extrema importância desta proteção, uma das perguntas que acompanham os atletas é: quais são os efeitos das máscaras faciais na fisiologia do exercício e, em particular, na capacidade dos atletas de desempenho de alto nível?

Muitas pesquisas foram realizadas sobre as considerações ambientais do uso de máscaras faciais e a ênfase foi em profissionais de saúde que são obrigados a usar máscara por muito tempo. Todavia, os efeitos quantitativos das máscaras na capacidade de exercício foram também relatados de maneira recorrente. Novas pesquisas sobre o uso de máscaras cirúrgicas e a máscara N95 durante o exercício físico forneceram dados interessantes para atletas que optam por fazer o uso da proteção durante os exercícios. 

O estudo conduzido pela Universidade de Leipzig investigou como o uso de dois tipos diferentes de máscaras faciais – cirúrgica e N95 – afetou as respostas do coração e do pulmão de indivíduos que realizaram um teste de ciclismo até a exaustão.

Os resultados demonstram que:
– Ambas as máscaras reduziram significativamente o fluxo de ar pulmonar dinâmico, com redução média de 8,8% com a máscara cirúrgica e 12,6% com a máscara N95. Os fluxos de pico, porém, foram impactados de forma ainda mais drástica, sendo reduzidos em 9,7% com o uso da máscara cirúrgica em 21,3% com a máscara N95.

– O tempo médio do teste com máscara e sem máscara evidenciou uma duração mais curta do teste até a exaustão significando que o sujeito não foi capaz de sustentar uma intensidade de exercício alta por muito tempo, ou seja, teve um desempenho inferior. Também foi observado uma grande redução na potência máxima (4,9%) e no consumo máximo de oxigênio (12,9%), principalmente com a máscara N95.

– Em comparação com o fato de não usar máscara, as avaliações foram negativas para todos os itens, e ainda evidenciaram aumento no desconforto de forma consistente e significativa ao usar uma máscara cirúrgica, principalmente com a N95. Na verdade, houve vários relatos negativos para a máscara N95 em comparação com nenhuma máscara ou máscara cirúrgica para a percepção da resistência respiratória encontrada.

Resumidamente, temos as seguintes informações:

  • Usar uma máscara simples não prejudica o desempenho em exercícios de alta intensidade;
  • Quanto maior a capacidade de filtração da máscara (ou seja, quanto mais proteção ela oferece ao usuário), mais ela prejudica o desempenho nos exercícios;
  • Quanto maior a intensidade do exercício realizado, maior será o impacto negativo da máscara.

Portanto, em linhas gerais, pode-se dizer que ao praticar exercícios em um ambiente onde o risco de transmissão do vírus é baixo (ao ar livre e longe de outras pessoas), o uso da máscara não é apenas desnecessário, mas pode ser contraproducente, especialmente quando a intensidade do exercício é alta, como por exemplo em treinamento intervalado, situação de corrida, etc. Para a maioria dos atletas de resistência que realizam treinamento de rotina, o uso de máscara deve ser desencorajado e os locais de treinamento devem ser escolhidos onde o distanciamento é possível. 

Se exercitar de máscara não é agradável e há uma influência real na capacidade esportiva. Por esse motivo, em esportes profissionais como basquete e futebol, é preferível testar os atletas e protegê-los do contato a fazer com que usem máscara durante as atividades. Já os atletas que treinam em academias ou competem nas ruas com um grande número de outros atletas ainda são aconselhados a usarem máscara. 

É relevante salientar que os resultados são referentes ao uso da máscara para treinamento de atletas de alto rendimento, mas o uso é imprescindível para a realização de atividade física pela população em geral, que deve seguir todos os protocolos de segurança nacionais, estaduais e municipais.

Para obter mais informações sobre os cuidados necessários durante uma atividade física, clique aqui e consulte a cartilha disponibilizada pela Ciência do Exercício.  Além disso, é possível consultar o Minas Consciente que fornece orientações para a retomada segura das atividades nas cidades e onde você pode saber em qual onda o seu município está e quais são as atividades autorizadas para ele.  

                                                                                                                                                            Fonte: https://bit.ly/2K8Hbfm (adaptado).

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