BALANÇO OLÍMPICO: Legado para LONDRES e Atenção para a RIO 2016

Publicado em 13/08/2012 por

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Legado para Londres…

Londres 2012 deixa região revitalizada, parque público e mudança cultural*

Com direito ao maior shopping da Europa e Parque Olímpico, umas das áreas mais pobres e abandonadas da cidade ganha vida nova após as Olimpíadas.

Por Lydia Gismondi.

Legado, legado, legado. Seria quase impossível calcular quantas vezes os políticos e organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres pronunciaram esta palavra ao longo dos últimos nove anos. O item, que virou o destaque das campanhas das cidades ultimamente, foi muito bem explorado pela capital inglesa, que precisava provar o poder de transformação da competição, apesar de já receber sua terceira edição. Ressabiada, a própria população local viu todas as promessas com certa desconfiança. Passado o evento, a sensação que ficou é que uma grande região pobre foi recuperada e o envolvimento com o esporte deu passos firmes rumo a um futuro promissor.

Em uma cidade de primeiro mundo, com transporte público de qualidade, e experiente em receber os Jogos Olímpicos, a missão de deixar um legado também pode ser desafiadora. Londres foi atrás da parte mais pobre e abandonada da cidade, na zona leste, para usar como “mote” de sua campanha de transformação. A ideia deu certo. Pelo menos em um primeiro momento. O abandonado bairro de Stratford, antes predominantemente formado por indústrias, foi ressuscitado após um investimento de 12,5 bilhões de libras (cerca de R$ 40 bilhões). Muitas obras de infraestrutura foram feitas, novos prédios foram erguidos, novas linhas de metrô e trem surgiram, o comércio se expandiu e ainda ganhou o maior shopping da Europa.

O lugar antes sombrio e poluído ganhou vida, principalmente, com a chegada do Parque Olímpico. Principal equipamento dos Jogos de Londres, o local será transformado e ficará como herança para a população. A prefeitura ainda não sabe detalhar exatamente como ele funcionará quando for reaberto, em 2013, mas garante que será um espaço para ser usufruído pelos moradores. É possível que se torne uma opção de lazer parecida com o Hyde Park. Em contra-partida, os pessimistas ainda acreditam que o lugar de cerca de 2,5 quilômetros quadrados se tornará um enorme elefante branco.

– Assim que o Parque Olímpico, que vai ganhar o nome de Rainha Elizabeth, for completamente reaberto, vai atrair cerca de 9 milhões de pessoas por ano. Vai ser um dos dez pontos turísticos imperdíveis de Londres, com as maiores facilidades de transporte do país. Vamos criar mais cinco bairros ao longo dos próximos 20 anos, com três escolas, nove creches, três centros de saúde e 29 parquinhos. Tudo isso e mais as 8 mil novas casas já existentes – ressaltou, orgulhoso, o prefeito Boris Johnson.

A utilização das instalações esportivas do parque estão sendo negociadas por clubes e associações. Já o Centro de Imprensa passará a abrigar um centro de inovação e tecnologia. A Vila Olímpica, outra grande preocupação na questão do legado, já foi vendida para um fundo de investimento do Catar e será transformada em um condomínio residencial. Os quase 3 mil apartamentos serão adaptados. O legado, neste caso, é que a metade das unidades estará disponível a preços populares.

As heranças dos Jogos Olímpicos de Londres não devem se limitar apenas ao legado físico. Com a conquista do direito de receber a competição, o governo passou a investir mais no esporte e aumentou o número de programas relacionados a este setor, em especial nas escolas. O desempenho da Grã-Bretanha, terceira colocada na classificação geral com 29 ouros, dez a mais do que em Pequim, já parece ser uma resposta clara dos benefícios culturais que as Olimpíadas de 2012 proporcionou.

Atenção para a RIO 2016…

COB aponta esportes que são “pontos de atenção” para Rio 2016**

No último dia dos Jogos Olímpicos de Londres, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) fez um balanço da participação dos atletas do país nas competições. Apesar de ter alcançado a meta de medalhas, alguns resultados do Brasil foram classificados como “pontos de atenção” para o trabalho que se segue até 2016. Entre eles, o fato da ginástica artística feminina não ter chegado a nenhuma final.

O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, disse que a causa não é segredo para ninguém. “Ela se deveu a uma briga política dentro da confederação. Isso prejudicou os atletas e trouxe um dano muito grande à ginástica do Brasil”, disse. Nuzman afirmou que o problema é um dos maiores dentro da entidade e que precisa ser resolvido para que a equipe se classifique para as Olimpíadas do Rio, em 2016.

Outros pontos de atenção levantados pelo COB são a ausência de medalhas no atletismo, hipismo e taekwondo, o basquete e o futebol femininos fora das semifinais, a vela com apenas uma medalha, a natação com apenas duas e o handebol masculino nem sequer foi classificado para participar dos jogos. Segundo o superintendente executivo do COB, Marcus Vinícius Freire, esses pontos serão tratados nas reuniões que começam a ser feitas com as confederações de cada modalidade no Brasil.

Quanto aos destaques, além da meta de medalhas ter sido alcançada, o COB ressaltou o primeiro ouro no judô feminino e na ginástica artística masculina, o recorde brasileiro de quatro medalhas no judô e no vôlei, e de três no boxe. De acordo com Freire, 57 atletas brasileiros conquistaram medalhas em Londres, somando as modalidades individuais e coletivas.

Apesar das 17 medalhas representarem o maior número já alcançado pelo Brasil numa única edição olímpica, é preciso ganhar bem mais para atingir a meta de ficar entre os dez primeiros no ranking de medalhas no Rio. Serão necessárias pelo menos 25 medalhas. Para isso, mais modalidades precisam conquistá-las. Em Londres, apenas sete modalidades conseguiram subir ao pódio. “Precisamos de 13 modalidades medalhando”, disse Freire.

A “cereja do bolo” na preparação para as competições, segundo o superintendente, foi o Crystal Palace, centro de treinamento no sul de Londres que abrigou mais de 100 atletas, que podiam treinar em espaços exclusivos, além de salas para a telemedicina e a ciência do esporte do COB. A novidade na preparação custou R$ 3,2 milhões. O gasto total em Londres chegou a R$ 11,6 milhões.

Na comparação com o ciclo olímpico de Pequim, os investimentos oriundos da Lei Agnelo/Piva passaram de R$ 230 milhões para R$ 331 milhões nos quatro anos até Londres. Freire observou que grandes potências gastam, em média, mais de US$ 1 bilhão. Enquanto a Grã-Bretanha, com uma área mais de 30 vezes menor que a do Brasil e menos de um terço da população, tem sete centros multiesportivos de treinamento, o país não tem nenhum, comparou Freire.

* Matéria retirada do site www.globo.com.br (link direto)

** Matéria retirada do site www.jb.com.br (link direto)

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