Sim, eu também posso!*

Publicado em 16/07/2012 por

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Com 14,5% da população nacional apresentando algum tipo de deficiência, o esporte adaptado ganha força como oportunidade para uma nova vida.

Por Jéssie Panegassi

Não são poucas as dificuldades e desafios de quem possui algum tipo de deficiência, física ou mental. Elas podem ser congênitas ou terem sido adquiridas ao longo da vida. Seja qual for a razão ou a fatalidade que as levou a essa condição, a vida não acabou. É tudo uma questão de se adaptar a uma nova realidade. E, para isso, o esporte tem sido recomendado pelas diversas especialidades médicas que tratam dessas pessoas. As perspectivas são promissoras e os resultados têm se mostrado bastante positivos. Mas antes do início de qualquer atividade, consultar um especialista é uma providên cia essencial.

Isso porque, para além das dificuldades físicas aparentes, é possível que existam outras complicações que devem ser investigadas. “Esse cuidado facilita o conhecimento das sequelas e dos sistemas orgânicos comprometidos, direta ou indiretamente”, explicam os fisioterapeutas Maria Salete Conde e Marco Antonio Ferreira Alves, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O aspecto psicológico também deve ser considerado, pois “aquele que já nasceu com uma deficiência, nunca se viu sem ela, e sempre vivenciou essa condição. O desafio é aprender a se ver de outra maneira e se adaptar a um novo estado”, explica Iracema Madalena, psicóloga da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Nos casos de deficiência adquirida, é preciso conferir-lhes tempo para “trabalhar o próprio luto pela mudança ocorrida”, completa.

Preparação

A iniciativa de incorporar a atividade física num processo de recuperação pressupõe aceitação da deficiência. “Isso não significa acomodação. A adaptação gradativa a essas situações é um processo muito diferente em cada caso”, afirma a psicóloga. O médico que acompanha o caso normalmente indica uma modalidade esportiva, mas nunca a impõe. A pessoa é sempre livre para escolher as opções que mais lhe agradem. Esse é o caso de Iezza Sousa, de 14 anos, que pratica natação, remo e capoeira na AACD.

Mesmo com as duas pernas desarticuladas até o joelho, é muito rápida ao nadar e remar e já ganhou mais de 30 medalhas em competições. “Quando tive que desarticular o joelho achei que a minha vida havia acabado. Mas, a partir da primeira competição que participei senti que poderia fazer isso. Ainda existem pessoas que não acreditam nesse tipo de esporte e que você pode fazer várias coisas mesmo com uma deficiência, quando se vence uma prova fica provado que você é capaz, e você se sente assim”, conta.

Vanderson Silva, que perdeu a perna esquerda em um acidente, é outro atleta paralímpico, recordista em lançamento de disco, que passou por várias modalidades esportivas. Contudo, nem todas as pessoas se adaptam ou têm o perfil competitivo para se tornar um atleta profissional. “Existem aqueles para quem o fato de conseguir entrar em uma piscina sozinhos já é uma realização”, explica Edna Garcez, da AACD. “A forma de conquistar essas metas depende só da dedicação e esforço de cada um”, diz.

Guia para familiares, amigos e atletas iniciantes*É muito importante que os pais, principalmente, mostrem que realmente acreditam no futuro e potencial do atleta. Dê a oportunidade para que isso aconteça com eles.
Familiares e amigos devem apoiar totalmente a iniciativa do atleta de praticar várias modalidades de esporte. Sem essa ajuda, tudo fica muito mais difícil.
Mesmo que o responsável trabalhe e não tenha como estar sempre perto para ajudálos, converse com alguém e peça auxílio para que eles possam sentir-se supridos. Rejeite a crença de que sua família está sozinha nessas circunstâncias e aceite a ajuda disponível. A ideia é não isolar o grupo familiar nem a pessoa que praticará a atividade.
Todo atleta precisa treinar bastante para poder superar os seus próprios limites. Mas aqui não se trata apenas da prática esportiva mas também da deficiência em si mesma.
Mesmo que você ache que não gosta de praticar esportes, tente. Hoje as práticas paralímpicas estão crescendo muito. Lembre-se de que vai ser difícil, e qualquer esporte é difícil, a maioria já pensou em desistir. Mas lute por aquilo que você quer. Já ouviu falar daquela história do “eu quero, eu posso, eu consigo”? Esta é uma é verdade.

Estratégias de treino

Com a ajuda de bons especialistas é possível montar o treino ideal para cada tipo de atleta. “O educador físico vai atentar à eficiência do movimento, fortalecimento, compensação, velocidade e à ação muscular nos pontos que a modalidade exige”, afirma Cassiano Luis Ribeiro da Costa, especialista do Centro de Bem-Estar Levitas (SP).

Segundo ele, “ganho de massa muscular em todos os membros e tronco, de forma equilibrada, previne danos e recupera movimentos”. Também é um trabalho de preparação para uma possível prótese”, esclarece Pablius Staduto Braga Silva, médico do Grupo Fleury Medicina e Saúde.

Para os que querem praticar esportes, mas com o intuito de benefício para a saúde e sem a pretensão de se tornarem atletas, “a dificuldade e o desafio são equivalentes, mas os limites não. A diferença está na intensidade do treino para ambos, pois o modelo pode ser igual”, comenta Cassiano Costa.

Não desanime!

Para o atleta Silva, o esporte, além de abrir portas, acrescentou muito à sua vida: “e não foi só em termos de saúde. Hoje eu me sinto muito melhor por saber que, direta ou indiretamente, posso servir de inspiração para alguém vir a praticá-lo também”, completa. De acordo com Maria Salete e Marco, essa sensação pode ser o motivo pelo qual “o esporte adaptado é uma das intervenções que mais contribuem para o processo de reabilitação das pessoas com deficiência”.

Se o apoio dos especialistas é importante, o da família é fundamental. Mônica Guimarães, 17 anos, é uma nadadora com paralisia cerebral, mas já conquistou cerca de 40 medalhas e está namorando um rapaz que conheceu durante os treinos. Para ela, o apoio da mãe foi e é indispensável para o seu sucesso.

Com a colaboração de: Edna Garzes, Monica Guimarães, Vanderson Silva, Iezza Sousa e Isabel Guimarães.

*Matéria retirada do site www.revistavivasaude.uol.com.br  (link direto: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/107/artigo252436-1.asp)

 

 

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